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01/04/2013

O primeiro passo da "cura"




Já apaguei e escrevi várias vezes esta primeira frase porque nem sei bem o que escrever. Só sei que escrever sempre me fez bem desde criança. Sou aquela que tem uma meia dúzia de diários guardados da infância até aos anos pré adultos que, por vezes, releio com alguma vergonha alheia por aquela que já fui, mas simultaneamente emoção pela capacidade de análise que tinha desde cedo. Em outros momentos da minha vida escrevi muito, nos diários, que continuam na idade adulta, mais recentemente no blog, onde tenho vindo a relatar imensas coisas pessoais e profissionais. Mas a ultima situação da minha vida foi a única que me tirou a vontade de escrever, como se nada de bom pudesse sair do teclar, não houvesse fundamento, necessidade, bom resultado disso. 
Até hoje. Hoje é o dia que volto a escrever. E porquê?
A verdade é que eu tive um aborto. 
Ontem ao falar com uma pessoa que passou pelo mesmo que eu cheguei à conclusão que estava a ser egoísta em não partilhar a minha história. Não que considere a minha história pessoal de um interesse particular, me ache assim tão importante. Mas antes porque cheguei à tardia conclusão que ler, ouvir, falar com outras pessoas que passaram ou passam pelo mesmo que nós ajuda a esclarecer muitas coisas e a acalmar os ânimos. E ontem, depois de comparar histórias, que inevitavelmente acontece, lembrei-me que uma das primeiras coisas que fiz para tentar perceber melhor o que me estava e ia acontecer foi abrir o computador “googlar” termos médicos, frases, questões. 
Quem sabe outra como eu obtenha algumas respostas aqui e evite passar por algumas coisas que eu passei. 

No dia 8 de Fevereiro fui fazer a segunda ecografia, supostamente às 8 semanas, mas pelas minhas contas deveria estar de mais tempo. Tenho de contextualizar que estava a ser seguida no privado, clinica (pode-se dizer) de luxo, a que podia aceder devido à comparticipação do seguro de saúde que me é dado pela empresa onde trabalho. A médica, minha ginecologista há vários anos e também obstetra diz: "Que pena, inviável"- Inviável? Mas que raio significa isso?
Normalmente sou uma pessoa bastante emotiva mas fiquei petrificada, nem uma palavra. Outro chavão "Gravidez não evolutiva" - Ok e o que isso significa? No meio de muito discurso médico lá me explicou que o embrião tinha parado de crescer e que não havia batimentos cardíacos. "Que chatice" disse a médica. E eu ainda sem pronunciar um som sequer. Acho que estava a concentrar-me de tal forma para não ter um ataque de choro que nem consegui dizer nada. Parece que ouvia a médica ao fundo a falar em eco enquanto olhava para o monitor ao fazer a ecografia. Tudo o que queria era ter o "mate" ali para me dar a mão, mas estupidamente, por culpa minha e (agora também acho) por fraco aconselhamento da médica que me seguia, ele não estava. Depois disto a conversa foi surreal: Apenas me deu a foto da eco, onde podia ver a imagem do embrião e do saco, e disse que teria de esperar uma semana para ver se expulsava naturalmente, senão teria de ir ao Hospital: "Vamos ver se isso sai" foram as palavras. "Isso??????". 
Eu, grávida de primeira viagem, completamente em estado de choque, nem refutei e vim embora. Paguei a consulta e exame e aguentei-me até chegar ao carro, pegar no telefone telefonar ao meu companheiro.

Deixo aqui alguns dos links/artigos que me ajudaram:

Mednet - Muito bom artigo - Explica o que é o aborto, os vários tipos, a prevenção, o diagnóstico, tratamento, quando contactar o médico,etc.

Medipédia - Também muito completo com informação sobre causas, manifestações e terapêutica. 

De mae para mae - Portal com artigos, consultório e muitas informações interessantes não só sobre aborto, mas também de gravidez, pré gravidez, infertilidade, etc. Dispoe também de um fórum onde é possivel ler e participar em discussões sobre diversos assuntos. Aqui acabei por perceber imensas coisas, mas atenção para não generalizar e pensar que tudo o que é relatado nos vai acontecer. Cada caso é um caso. 


2 comentários:

caracois indomaveis disse...

É o que muita gente se queixa: falta de humanização por parte da classe médica! Eles deviam ter formação em como tratar, cuidar, lidar e falar com o paciente.


Espero que tudo corra bem e não desista!

Pintas disse...

É verdade Caracois e o meu caso foi exemplo disso.